Ok, assisti Zeitgeist. Como informado em sinopses, é um filme que defende algumas teorias conspiratórias. Sou fanboy do gênero e gostei - o filme legendado em português está aí em baixo ou lá no google video (com opção tela cheia). Claro que teorias da conspiração são para todos os efeitos coisa de maluco, e têm um forte elemento de culto embutido. Ou seja, como alguém que gostou do filme, eu obviamente devo prosseguir enchendo o saco das pessoas para que o vejam. Vou tentar.
Não se pode dizer que a teoria de que o mundo - seus governos, corporações, religiões organizadas e mídias - é controlado por uma classe dominante que representa uma parcela economicamente e politicamente poderosíssima da população é uma teoria maluca. É uma teoria bem consistente, aliás é fato sabido e notório. As teorias que podem ser acusadas de maluquice começam quando se tenta especular quem faz parte desta classe dominante, quais seus motivos e seus métodos. Zeitgeist não se faz de rogado e apresenta claramente suas idéias em três partes: uma atacando o cristianismo usando mitologia comparada, outra denunciando a manufatura de tragédias como o ataque ao World Trade Center com fins belicosos, e a última acusando banqueiros internacionais de filhadaputismo. São teorias que você pode conhecer ou não, aceitar ou não - mas o modo como o filme apresenta argumentos radicais e a própria radicalidade desses argumentos incentiva mais o pensamento crítico do que a absorção burra do que é apresentado. O efeito final é O RLY? Será? e o espectador é encorajado a pesquisar e tirar suas próprias conclusões - como deveria fazer com qualquer documentário, noticiário, reportagem, informação, opinião, etc.
Pessoalmente, eu tenho reservas em relação a boa parte das teorias de Zeitgeist. Sobretudo, o documentário apresenta mitos e mitologias sob uma luz bastante negativa, como mera ferramenta de manipulação - na minha opinião, mitos podem até ser seqüestrados por interesses escusos, mas são uma manifestação natural da cultura humana que podem também funcionar de forma positiva quando entendidos como a ficção que realmente são. O superstar da mitologia comparada que Zeitgeist usa é o autor Joseph Campbell, que nunca enxergou mitos como coisa nefasta só por que são faz-de-conta. Essa e outras ressalvas não diminuem em nada o valor de Zeitgeist, ao contrário. A idéia é essa mesmo - discordar, pesquisar, debater, entender.
A maior novidade de Zeigeist em relação a outros trabalhos similares é a qualidade técnica. É uma produção mambembe cheia de clipes do Youtube e fotografias encontradas no Google, mas a edição primorosa transforma tudo em uma montanha russa visual quase hipnótica (lavagem cerebral?). Abundam efeitos psicodélicos e imagens ritmadas de acordo com a trilha sonora, à moda dos sets de VJs da música eletrônica. Com duas horas de imagens doidas e blá blá blá, Zeitgeist não cansa o espectador em momento algum. O trecho mais lento é a fenomenal introdução, com um longo discurso falado e a tela quase completamente escurecida por vários minutos. Cria-se um efeito que remete mais à tecnicas de relaxamento e meditação do que cinematográficas, em um formato inovadoramente pop. Esta longa introdução culmina com a força de diversas imagens da decadência humana, a besta fera que o filme tenta compreender, atacar, e superar. Tocando em temas casca grossa, Zeitgeist oferece uma perspectiva otimista onde o poder de mudar o rumo da sociedade que produz tantas tragédias está ao alcance de cada um. Basta duvidar.
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