Como designer, nunca achei que um dia faria material para campanhas políticas, e muito menos que gostaria de fazer.
Trabalhando numa agência de comunicação que faz campanhas há anos, já ouvi falarem aqui: “A fulana de tal não foi eleita porque o material dela estava muito bonito, perdemos a eleição por isso e a culpa foi nossa”. A teoria é de que se você vai na favela e entrega um panfleto impresso em papel com verniz, uma coisa simples assim, você perde eleitores que podem pensar que você gastou mais dinheiro nesse panfleto do que deveria.
O que estou aprendendo é que em campanha política nada pode ser muito moderno, muito estiloso, muito colorido, muito…bonito.
Ainda to tentando me acostumar com a idéia de que, em geral, as pessoas relacionam “bonito” a “dinheiro”, já que o custo do maldito santinho está na impressão e papel e não no design em si. Eu ganho a mesma coisa pra fazer coisas bonitas e feias.
A pergunta que tenho me feito é se isso na verdade não é subestimar o público, os eleitores no caso, e culpar a eventual perda de uma eleição nesse tipo de coisa. Afinal, a identidade visual de um candidato é um fator decisivo na hora de você escolher se vota nele ou não? E se é, deveria ser?
Espero que a percepção das pessoas vá mudando em relação a isso, mas por enquanto, o efeito gradiente do photoshop ainda é o melhor amigo do candidato político.
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http://goma.blogsome.com/2008/07/23/a-campanha-politica-e-o-design/trackback/
bem legal você mostrar essa percepção do mkt político. eu jamais imaginava que o pessoal com menos condições pensava esse tipo de coisa em relação aos caprichos visuais.
por isso que acho que o voto deveria ser facultativo.
estou numa agência de comunicação também e não num escritório de design. Aqui uma das frases mais ditas é: não, o público não entender, tem de ser mais óbvio (feio). Sinceramente acho que nós temos o papel de sempre prezar pelo bom design, que aposta na inovação. A causa que produtos com apelo popular serem feios é que em sua maioria quem desenvolve estes materiais são micreiros, que muitas vezes não detém conhecimento suficiente para fazer algo legal e não escritórios de design
Acredito que o peso de influencia do material de uma campanha esteja mais relacionado a quantidade do que qualidade. Quanto mais um candidato aparece, mais chances ele terá de ser lembrado pela grande massa da população que só acompanha superficialmente o decorrer de uma eleição. E aí que está, se os custos de 500 santinhos do candidato A feitos com um material mais bacana for equivalente aos custos de 1000 santinhos do candidato B feito com material vagabundo, eu entenderia se esse último fosse eleito e o primeiro não.
Obs.: Economia de custos não é desculpa pra fazer material feio.
mas vcs entenderam o ponto da Mari, né, que independente da capacidade do designer do material de campanha - quanto mais feios os designs mais ’street cred’ o candidato tem com o povão eleitor. é a simplificação extrema do meio pra aumentar o alcance da mensagem.
exatamente o que o hector disse. eu sei que os custos de material são diferentes, óbvio, mas estava falando mais da questão do design em si. o que o pessoal das agências e mesmo alguns candidatos acham, e que eu não concordo, é que o povão se “identifica” mais com um design mais simples, como é feito na maioria das campanhas. as campanhas mais sofisticadas, tipo a da marta suplicy, são geralmente de políticos já “consagrados”, que não dependem do visual pra se eleger.
eu ainda acho que a opinião e percepção das pessoas é subestimada.
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