
Elizabeth Bishop perdeu um continente. Mas ganhou um país muito mais divertido e o amor da sua vida.
Seguindo o post do Thiago sobre escritoras “mudernas”, resolvi falar um pouco sobre essa poetisa que arrebentou nos anos 50.
Desembarcar no porto de Santos no começo dos anos 50 (e rumar para o Rio de Janeiro) era um prato cheio para qualquer escritor. A bossa nova era esboçada e muito acontecia por essas bandas. Quem me dera ter 20 anos nessa época….

Ela morou no Brasil um tempão. E foi quando escreveu melhor, mesmo assim nunca se desligou das suas raízes norte-americanas. Sempre escreveu em inglês, porém suas obras foram traduzidas por diversos poetas brasileiros.
Elizabeth era super envolvida em movimentos de vanguarda, e acabou conhecendo a arquiteta Lota Macedo (que fez o aterro do Flamengo) e se apaixonou. Elas foram felizes por eternos 10 anos até que Lota suicidou-se.
Elizabeth morreu em 79, nos Estados Unidos, mas deixou muito por aqui. Muito que nem todos conhecem… Na faculdade de Letras em Santos, nunca alguém sequer tocou no nome dela. O que é um absurdo! Pq eu tinha literatura norte americana (e quer coisa mais bacana do que uma escritora que morava aqui!)…vai sentindo o drama…
Mas tudo bem, o que os professores pecam em falta o Google tem de sobra.
Um dos poemas mais conhecidos de Elizabeth é:
The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother’s watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn’t hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn’t a disaster.
—Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan’t have lied. It’s evident
the art of losing’s not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
Tradução de Paulo Henriques Britto
“A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério. “
que legal, heim? o nome dela não me é estranho, mas não lembro mesmo dela ser mto citada por aqui [aqui = brasil e faculdade de Letras da Unisantos]
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