Die CD, DIE!

08.09.2008 | Categorias: Notícias, Resenhas, Música, Mp3, Tecnologia | Por André Peniche

Há dois dias atrás, eu li uma nota no Omelete sobre a vida do Blu-ray estar com os dias contados.


A nota (escrita por Érico Borgo) diz:

Diretor da Samsung britânica aposta em cinco anos - e depois o formato digital vai se impor.
Quase ninguém comprou ainda, mas já tem executivos e analistas apontando que a vida do Blu-ray será curtíssima.
Andy Griffiths, diretor de eletrônicos da Samsung britânica, acredita que a nova tecnologia de alta definição de imagem e som só vai durar cinco anos, ao contrário dos mais otimistas da indústria que apostam em uma década.
Com a Internet cada vez mais rápida e sites de vendas online de filmes ficando melhores, mais fáceis e acessíveis, parece mesmo que a mídia física esteja com seus dias contados. De qualquer maneira, isso não significa que a tecnologia será um fracasso. Integrado ao Playstation 3 - considerado por especialistas o melhor player do formato existente -, o Blu-ray, de acordo com Griffiths, ainda vai fazer muito dinheiro até que os formatos digitais extinguam de vez o plástico, como já fizeram com os CDs.

Agora, eu opino…

Chamo a atenção do confuso leitor para a seguinte frase: “…o Blu-ray, de acordo com Griffiths, ainda vai fazer muito dinheiro até que os formatos digitais extinguam de vez o plástico, como já fizeram com os CDs…

WAS?! Pergunto eu em alemão, após saber como é escrito consultando o World Lingo para dar um ar mais globalizado e descolado ao post;

Poxa vida, sabemos que o MP3, AAC ou qualquer que seja seu formato de música digital favorito tá dando uma canseira danada ao CD, e sabemos que pra piorar a situação ainda mais, agora temos o DVD Audio em 5.1 DTS (pra quem não conhece ou ainda não ouviu álbums como Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, Love (Beatles) ou o que considero a obra prima, Yoshimi Battles The Pink Robots do Flaming Lips nesse formato, realmente não sabe o que está perdendo). Mas pô, alguém aí viu o CD sumir?
Será que mesmo com todas essas dificuldades, o que vejo nas prateleiras seria apenas um memorial do que um dia foram CDs sendo alegremente vendidos? Miragem?
O CD não acabou… Não digo que será eterno, mas ainda acho que dura um bom tempo. Veja bem, a mudança constante do formato de vídeo (e suas mídias físicas) pode ser comparada, por exemplo, ao videogame e sua evolução, entende? Esclareço ainda mais para o leitor que se pergunta “Onde esse cara quer chegar?”…

Há espaço para expandir.

É possível ter uma imagem com mais resolução, mais pureza, melhores gráficos, mais rapidez, e para isso, precisamos de mídias e formatos que comportem arquivos de tamanhos cada vez maiores (hoje, um Blu-ray camada dupla comporta até 50GB).
Claro, uma coisa que ele disse faz sentido e de fato deve acontecer: que o fato de a Internet estar cada vez mais rápida (a conexão de 200 mega via rede elétrica já está em fase de testes no Mato Grosso do Sul e Porto Alegre) vai impulsionar e MUITO as vendas de vídeos e jogos online (como é o caso da rede Xbox Live e da Playstation Store), mas eu DUVIDO que a mídia física suma de vez… pelo menos nos próximos 20 anos.
Isso já não acontece com o áudio, entende?, diz Pelé.

O formato de DVD Áudio existe há pelo menos 5 anos, e eu pergunto: alguém já ouviu tal formato? Já pegou um disco desses na mão? JÁ?! Poucos afirmarão que sim…
Entendam, isso não interessa TANTO assim, pois aos ouvidos, a diferença não é tão grande!
Claro que ouvir determinados álbuns neste formato é SENSACIONAL, mas poxa, ninguém vai ficar se posicionando no meio de 6 caixas de som toda a vez que ouvir música!!! A qualidade da música digital hoje (e eu me refiro ao formato do CD, não o MP3) já é ótima! É só prestarmos atenção ao fato de que até hoje a música permanece com a mesma qualidade e quaisquer formatos digitais (MP3, AAC e etc) são “ripados” dos “obsoletos” CDs!

Mas, mas, mas como assim? Pergunta o embananado leitor após questionar-se “Sgt. Pepper em 5.1?” “Poxa, o PS3 é o MELHOR aparelho de Blu-ray do mercado e custa menos que os piores?” “Porra, 200mega!!! Eu poderei fazer download dos 39 DVDs dos Trapalhões!”. Tanta informação!!!

É…
Primeiramente, existem defensores do formato físico, como eu. Compro CDs até hoje (claro que a quantidade caiu e eu só compro os que realmente gosto, após ter feito o download prévio do álbum e ouvido inteiro), e não são poucos.
Em seguida, temos pequenos sinais que não me deixam mentir, como por exemplo, a crescente produção de discos em vinil a qual, claro, nos leva ao óbvio: se é produzido, existe demanda.



produção da edição de luxo do Red Album do Weezer

E por último, e mais importante: O comércio.
Pô, vocês acham mesmo que as lojas de CDs especializadas em música como Virgin, Fnac, Saturn e RMV vão mesmo abrir mão disso??? Claro que todas vão se adequar e vender também o formato digital, como é o caso da Amazon, mas pra isso tudo DESAPARECER ainda vai um tempinho.
As coisas evoluem rápido, eu sei, mas o buraco é sempre mais embaixo (momento clichê do post).

“Então conclua”, pede o cansado leitor. E rápido, eu o faço:

O CD não vai sumir tão cedo assim.

As pessoas não estarão dispostas a trocar o Blu-ray por um outro tão cedo, seja ele Purple, Red, Aqua ou Brown (é neste momento que o desatualizado leitor afirma: “Mas eu nem tenho Blu-ray ainda!” E eu, arregalo os olhos e solto um poderoso e concordante: POIS É!!)



E caso tenha passado pela cabeça do paciente leitor formatos como 8-track tape, Laserdisc (o CD bolachão) ou outros parecidos, eu justifico seus precoces sumiços com uma única palavra: praticidade.

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1 COMENTÁRIO »
Rodolfo S Filho (Em 08.09.2008 às 12:39)

O cara foi hiperbólico ao afirmar que o CD já desapareceu, mas de fato ele não é mais a principal forma - ou o paradigma - do consumo de música. O objeto físico é temporário e irrelevante do ponto de vista estético: a fragmentação da música é uma realidade.


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