
Do surgimento da arte, no período em que as pinturas ainda eram feitas nas paredes das cavernas, até o seu confinamento nas galerias e museus, milhares de anos se passaram. Mas, nesse meio tempo, não foram poucos os que quiseram devolver a arte para o espaço público e para a livre apreciação. As ultimas tentativas, em sua maioria, foram as que usaram a chamada “cultura de rua”, utilizando o grafite e os stickers. Aliás, muitos dos que começaram com o grafite, só para citar um exemplo, foram parar nas grandes galerias e espaços privados. É o caso d`os gêmeos, que depois de exporem pelo mundo todo, inauguraram uma exposição no Museu Oscar Niemeyer em Curitiba.
Nos últimos meses, duas iniciativas me chamaram a atenção por usarem como suporte a fotografia e fazerem o caminho inverso: saindo dos museus e ganhando as ruas. A primeira utiliza como espaço para exposição a favela e os barracos que ali estão. O projeto é do francês J.R. e, antes de ir chegar ao Morro da Providência (Rio de Janeiro, RJ), passou por Sudão, Serra Leoa, Quênia e Libéria. Índia, Camboja, Laos e Marrocos estão entre os próximos destinos. Você pode acompanhar o projeto através deste site.
O artista já expôs nas paredes externas no museu londrino Tate Modern, ao lado de um trabalho dos já citados os gêmeos. No Brasil, o trabalho de J.R. buscou colocar arte onde antes não existia e, com isso, chamar atenção da mídia para um lugar cheio de conflitos. Vale lembrar que o morro onde foram expostas as fotos foi destaque nos noticiários há alguns meses quando militares entregaram alguns jovens a traficantes de um morro vizinho. Os adolescentes acabaram sendo executados.

A segunda iniciativa, Through Lens Gallery, é mais modesta, mas não menos ousada, e usa os pontos de ônibus de Curitiba. Onde só se podia ver propaganda de produtos ou serviços, agora podem ser vistas fotos temáticas que vão de shows à igrejas de diferentes lugares do mundo. O projeto, assim como as fotos, são do redator e fotógrafo curitibano Zaro e, como as obras são coladas nos vidros apenas com fita dupla face, cada exposição acaba tendo um tempo de duração que nem mesmo o autor pode controlar. Como em um Big Brother da arte, quem decide é o público, que pode levar as fotos para casa.

Enquanto uma exposição faz com que quem espera para se deslocar até sua casa ou trabalho viaje milhares de quilômetros antes mesmo de entrar no seu ônibus, a outra dá uma cara diferente para a favela: a dos próprios moradores.
q legal. os moradores devem ter ganhado algum nessa, ou pelo menos o francês teve de pedir autorização pro patrão do morro
mto bom. acho que a arte tem q sair do museu mesmo…e subir o morro!
2 thumbs up pro frnacês!
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