
os norte-americanos Sid e Marty Krofft são dois irmãos que produziram shows infantis pra TV nos anos 70. posso dizer que foram uma espécie de “tios estranhos” que participaram da minha criação sem o saberem - e mesmo sem eu saber da existência deles até uns anos mais tarde.
nasci em 1976, uma época ainda sem TV a cabo nem parabólica, em que as TVs dependiam muito de reprises de programas de anos anteriores, então nos anos 80 vi muita coisa dos 70. até no cinema rolavam bastante reprises [minha mãe me levou pra ver o primeiro MAD MAX no extinto cine Iporanga 2, em Santos mesmo eu não tendo idade pra ver].
na Baixada Santista o sinal do SBT não chegava direito, só quem tinha conversor de UHF podia ver a programação completa do seo Sílvio [eu lembro de a irmã de um amigo meu ser fanática pela CHISPITA, e o fato de eu não ver esse programa em casa fazia dele muito especial, quase secreto]. parte da programação do SBT, no entando, era licenciada pra Record, por onde se não me engano eu conheci as produções dos irmãos Krofft.
no myspace da dupla é possível ter uma vaga idéia, através de resumões em vídeo dos episódios, do que eram seus programas de baixa produção, coloridos e estranhos - psicodélicos [foram acusados de produzir os programas sob efeito de maconha e LSD]. criança não é boba, eu meio que sabia que a produção não era igual a dos programas mais pop, mas essa era parte da graça. todos os seriados dos Krofft tinha um charme próprio que não era só ligado ao orçamento baixo, mas também ao fato de terem sido feitos nos anos 70.

o programa-tronco era o KROFFT SUPERSHOW, apresentado pela bestilosísisma anda Kaptain Kool and The Kongs - que existia de verdade e lançou pelo menos um pequeno sucesso de discoteca. quando achei o vídeo da abertura do seriado no 70’s Vid Kid acho que foi a única vez em meus 12 anos de internet em que alguma coisa da Rede me fez chorar, haha.

Kool e seus Kongs apresentavam vários mini-seriados estilosaços que estão marcados no canto da minha memória como ferro quente. os mais conhecidos eram:
MULHER ELÉTRICA E GAROTA DÍNAMO:
baseado no Batman dos anos 60, mostrava as aventuras de uma combatente do crime e sua parceira que usavam relojões quadrados que disparavam raios e andavam num carro que parecia nave espacial. elas virariam ídolas cult lésbicas anos mais tarde.

DR. ENCOLHEDOR
um grupo de adolescentes cai de avião na ilha do cientista maluco que os faz encolher, e eles têm de fugir dos perigos gigantes do dia-a-dia praé conseguir voltar ao tamanho normal. tem cara de ter sido baseado no seriado antigo TERRA DE GIGANTES e de ter influenciado o QUERIDA, ENCOLHI AS CRIANÇAS.

BUGUINHO
nos anos 70 houve uns 10 desenhos animados parecidos: um grupo de amigos meio turma do Scooby Doo acha um buggy velhão que é um ser vivo. quando tocam sua buzina especial ele se transforma numa versão estilosa, cheia de glitter - praticamente um carro drag - que voa graças a efeitos de chroma-key. com o Buguinho os amigos enfrentavam perigos na cidade.

PÉ GRANDE
o lendário Bigfoot e seu parceiro Wildboy [um menino criado na floresta ao estilo Mogli] combatiam crimes ligados às reservas indígenas das redondezas. o grande charme,além da música da trilha, era o cara vestido de roupa de Chewbacca saltando grandes distâncias em câmera lenta e gritando BAYABAAAA.

e o grande ELO PERDIDO, que se não me engano era um programa à parte. esse foi talvez o maior sucesso dos irmãos Krofft, o mais lembrado até hoje entre os trintões e que mais reprisou. eu lembro que gostava tanto que assistia até em uma TV portátil em preto e branco de 5 polegadas enquanto o pessoal na sala via outra coisa, só pra não perder.

a premissa era a mais “brincável” depois de assistida por uma criança que criava suas próprias histórias a partir dos episódios: uma família de pai Rick Marshall, o filho Will e a filha Holly passeavam de bote por um rio e caem numa cachoeira, que os leva a outra dimensão em que estão presos dinossauros, os homens-macaco pakunes, os homens-lagartos sleestaks, aviadores que sumiram no Triângulo das Bermudas, alienígenas e outros seres. eles tentavam sobreviver em condições difíceis e os poucos entendiam como aquele mundo bizarro funcionava, mexendo em pilares antigos que continham cristais que abriam portas dimensionais. influência do LOST, alguém?



mesmo sabendo que os dinossauros eram em stop motion a abertura quase sempre me assustava. na troca de temporada, o pai Marshall consegue sair sozinho da dimensão perdida, sendo substituído pelo tio das crianças até o fim da série. infelizmente acho que nenhum deles conseguiu sair de lá, mas pelo menos garantiram episódios crássicos cheios de cenas viajantes, como o do homem-luz, da versão adulta da menina Holly que vem do futuro dar dicas pra saírem de lá, de quando chegam no limite da dimensão de cabeça pra baixo,

os sortudos da Califórnia podem rever tudo isso no canal a cabo Cox 3. e ELO PERDIDO está sendo adaptada pro cinema pelos irmãos Krofft com Will Ferrel como Rick Marshall e pelo visto estão mantendo o clima camp da coisa [aliás, o Ferrel parece que curte os anos 70 mesmo]. sei que não vai ser a mesma coisa, mas estou muito ansioso pra ver este filme ano que vem.
quando eu encontrar todas essas séries em DVd acho que vou fazer melhor as pazes com meu eu-menino de uma vez por todas. com quem eu gostaria de rever tudo naquela situação, naquele contexto do começo dos anos 80, voltando ao passado.
haha, fazia tanto tempo que eu tava começando a pensar que tinha saido da minha imaginacao essas series! Boa!
Genial! vc salvou o Buguinho de ser enterrado completamente na minha memória! :-O COMO tu lembra dessas coisas?
não sei, minha memória é meio seletiva, haha.
esqueci parte da minha infância mas lembro de
coisas do além.
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