Uma invasão já foi, falta a (crise) final

09.12.2008 | Categorias: HQ-Comics | Por Pablo Casado

Secret Invasion (ou Invasão Secreta), o grande evento de verão da Marvel em 2008 conduzido pelo escritor Brian Bendis, terminou na semana passada, recebendo críticas pouco favoráveis e já preparando o terreno para a próxima saga oba-oba da editora, Dark Reign (Reino Sombrio), a tomar boa parte das séries mensais da Casa das Idéias em 2009. Enquanto isso, na Distinta Concorrência, Final Crisis alcança sua edição #5 neste mês; a prévia revela o que poderia ter sido um evento nerd capaz de gerar uma repercussão maior do que qualquer saga da Marvel nos anos 00.

Ao menos, era o que se esperava quando Grant Morrison foi anunciado como escritor e J.G. Jones como ilustrador. A dupla, que havia trabalhado junta na ótima Marvel Boy quando Joe Quesada ainda era subordinado a Bill Jemas, foi anunciada com pompa; e com a liberação de uma ilustração-teaser composta pelos grandes heróis da editora e dos dizeres “Heróis morrem. Lendas vivem para sempre.”, esperava-se um evento realmente épico.

Os primeiros boatos indicavam que Morrison pretendia mudar radicalmente o status quo do Universo DC com a mini-série, o que aconteceria com a morte do Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha, seguida da elevação destes ao posto de Novos Deuses. À medida que mais informações vazaram, concluiu-se que, na verdade, o escritor iria apenas matar o Homem-Morcego — como foi visto no arco Batman R.I.P., concluído recentemente nos EUA.

Ainda assim, Final Crisis seria o “maior crossover que já existiu”, segundo o roteirista escocês, buscando contar uma história fechada em si, capaz de agradar aos fãs mais antigos e os novos, esquivando-se do simples quebra-pau maniqueísta e cheios de ramificações como Secret Invasion. Os editores da DC, representados pelo editor executivo Dan Didio, querendo lucrar o máximo possível, contradisseram Morrison e publicaram diversas histórias que precederiam a Crise Final, sendo o principal deles a Contagem Regressiva para a Crise Final (sendo publicada no Brasil atualmente). Usando, inclusive, os Novos Deuses, personagens criados por Jack Kirby, que o escritor exigiu que não fossem usados em qualquer publicação, na mini-série interligada A Morte dos Novos Deuses, por Jim Starlin.

As intromissões editoriais refletiram em roteiros rescritos, novas mini-séries interligadas e a saída de J.G. Jones da função de ilustrador da saga por razões não-especificadas publicamente — boatos maliciosos fazem analogia ao conto bíblico envolvendo David e Uriah. Carlos Pacheco, que foi escalado para ajudar Jones na arte, também anunciou que está de malas prontas para sair da DC. O motivo envolveria um imbróglio para que a editora desse continuidade a publicação da série Arrowsmith, que Pacheco criou ao lado do escritor Kurt Busiek, pelo selo WildStorm, irritando o desenhista espanhol; que deve anunciar um contrato de exclusividade de dois anos com a Marvel em breve, segundo os rumores. Um de seus primeiros trabalhos seria um arco da aguardada Ultimate Avengers, de Mark Millar. Dough Mankhe, que trabalhou com Morrison na ótima Frankenstein, mini-série integrante da saga Sete Soldados da Vitória, ficou a cargo do abacaxi de ilustrar o que restou da Crise.

Quem tem acompanhado a mini-série, contudo, nota que Morrison tinha real interesse em fazer desta uma Crise memorável; superior a enrolada e masturbatória Invasão Secreta. O tom da saga busca associar uma visão policial, das ruas — mas utilizando-se dos Lanternas Verdes para tal — naquela que pode ser a investida definitiva de Darkseid contra a Terra: os deuses de Nova Gênese foram mortos, e os de Apokolips estão entre nós, usando avatares humanos e alienígenas para dominar a humanidade. Super-Homem, Batman e Mulher Maravilha foram desestabilizados, restando aos demais heróis manter a resistência contra as forças invasoras. Quem acompanhou a fase do escritor em JLA, irá reconhecer elementos bem parecidos com o arco Rock Ages (Pedra da Eternidade no Brasil), onde o vilão criado por Kirby domina a Terra no futuro.

Mesmo com todos os problemas, vale a pena acompanhar Final Crisis e ver como Morrison irá amarrar as pontas daquela que deve ser sua última cartada com o universo DC num evento dessa proporção. Mas fica a dica: a verdadeira “crise final” e clássica do autor se chama Sete Soldados da Vitória.

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3 COMENTÁRIOS »
HectorLima (Em 09.12.2008 às 18:50)

FINAL CRISIS vendeu muito menos mas certeza que é um gibi bem mais divertido e bem feito, por mais que tenham rolado os atrasos e troca de desenhistas.

SETE SOLDADOS DA VITÓRIA é um prequel de FINAL CRISIS no fim das contas. todos os crossovers do Morrison tão interligados, até o DC1000000.

e spoiler: o Batman não morreu no RIP, ele só vai achar motivos suficientes pra não ser mais o Morcego.

Rodolfo Aragão da Rocha (Em 16.01.2009 às 3:18)

Batman “morreu” na edição 6 de Crise Final, uma das piores sagas de todos os tempos e de todos os universos ficcionais existentes nos quadrinhos. Apesar dos desenhos lindos, a saga é um grande nada que leva a lugar nenhum, pois seus desdobramentos em outras revistas não explicam nada que ajude a entender a série principal (diferentemente de Crise Infinita). Se a culpa foi puramente do Morrison ou das mudanças editoriais e reescrituras, foda-se. Morrison já morreu para mim, assim como a Desgraçada Crise.

elvis (Em 17.01.2009 às 10:57)

rodolfo aragão ,pàra de ler quadrinhos e vai fazer outra coisa ,falar mal do grant morrison ,você parece crítico (artista frustrado)faça esse bem pra nós ,rasgue suas revistas


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