
Geralmente eu não tô nem aí para o Oscar. Acho chato, demodê e meio brega, mas de vez em quando a gente arrisca e vai ao cinema assistir aquele filme que ganhou um milhão de estatuetas.
Eu estava descrente, sentada no escurinho do cinema, até que o destino mudou minha vida.
Sabe quando você ouve sua música favorita pela primeira vez? Aquela sensação perfeita na qual a música lhe completa de maneira inexplicável.
E aquele filme que por duas horas muda tudo a sua volta. Daqueles que você sai do cinema acreditando que a humanidade não está completamente perdida. Um filme epifânico.
Foi assim durante as duas horas e dez minutos do “Quem quer ser um milionário?” Filme inglês gravado na Índia que conta a vida do seu protagonista, Jamal, com uma poesia que há muito tempo não se via no cinema.
O roteiro é lindo, as câmeras são muito bem sacadas (tem gente dizendo que é uma cópia do nosso “Cidade de Deus”, lembra?, mas cópia não é) e você se pega torcendo calorosamente por Jamal assim como todos os outros indianos que o assistem no programa “Quem quer ser um milionário?”.
Slumdog Millionarie é, às vezes, bruto mostrando sem receio uma Índia pobre, cheia de preconceitos e conflitos. O que mais uma vez nos leva ao nosso “Cidade de Deus”, que retratou o Rio de maneira crua.
Ao mesmo tempo a poesia que envolve o filme não deixa que você pense somente nas crianças que dormiram no lixão, na prostituição e trabalho infantil.
Você só pede para que Jamal alcance sua meta, tornando-se um Romeu a La Bollywood.
É um filme verdadeiro em vários aspectos, entretanto é mais mágico do que honesto no amor que move Jamal até o final da sua jornada.
É esse amor que dilui toda a dor de uma Índia confusa, triste e injusta. Mas em nenhum momento isso parece duro, agredindo o telespectador, diferente do nosso “Cidade de Deus” que se valia da crueldade da favela.

“Quem quer ser um milionário” é uma história de amor. Não só do amor Romeu e Julieta, mas o amor que nos leva a sobreviver against all the odds.
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ainda não vi, mas agora quero ver mais ainda - não pelo oscar, mas pelo post. quando alguém gosta de algo de verdade consegue convencer os outros de que esse algo é bom.
Olá Elise!
Precisei comentar aqui só para deixar uma ressalva.
Em momento algum eu disse que se tratava de uma cópia. Deixei bem claro que Slumdog inevitavelmente lembrava Cidade de Deus em alguns pontos. E não falo de roteiro pois são totalmente distintos nesse quesito.
Acontece que é visível a influência de Cidade de Deus e não estou só nesse pensamento. Se você googlar isso por aí verá que críticas escritas bem depois do meu artigo seguem a mesma linha de raciocínio (Omelete e Cine Players por exemplo).
Quem viu os dois filmes sabe bem do que estou falando. Película, edição, fotografia, câmera instável e até caracterização, tudo isso em alguns momentos fazem lembrar muito o nosso clássico.
Só que Slumdog no seu contexto geral consegue sim ser único e ímpar a despeito de todos os analogismos que recaem sobre ele.
Slumdog é um filme fantástico sem dúvida e embora eu tenha ficado surpresa com a quantidade de prêmios, mereceu cada estatueta!
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Errrr… festa do Oscar “demodê e meio brega”?
Estamos no mesmo planeta?
Bom, é isso. Me desculpe por ser franca.
Beijo e obrigada pela citação.
eu so fa do Boyle e tava com esse filme no fundo da minha lista pq ao mesmo tempo tenho birra de oscar…
mas esse poust me convenceu tambem, quero ver!
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