
Ontem tive a oportunidade de participar de um bate papo com o filósofo Sébastien Charles, sobre seu livro “Cartas Sobre a Hipermodernidade”.
O primeiro sentimento que tomou conta de mim foi uma infelicidade imensa. A dor de ser filósofo. Mas não é somente a angústia perturbadora que provém da consciência, mas a dor de perceber que o homem na busca incansável de ser mais, acaba, inevitavelmente, perdendo o rumo.
Sébastien Charles tem aquele ar de desgosto típico de quem sabe. Quando a fotógrafa pediu para que ele sorrisse para foto, ele ironicamente replicou: “Um filósofo sorrindo?”
Realmente, ao segurar seu livro ele nunca poderia sorrir. É um livro triste. Da triste história do homem que não deu certo.
Somos hiper e pagamos um preço alto para sermos tudo. Acabamos não sendo nada.
Ele falou de Deus, do meio ambiente, da educação, da busca pela felicidade, do papel do filósofo na sociedade de hoje. E em nenhum momento suas palavras eram esperançosas. Somente quando ele falou em crise.
Na teoria construtivista de Piaget, uma crise é sempre um momento de crescimento. Sébastien Charles compartilha o mesmo pensamento de Piaget.
Da lama aos caos do caos a lama.
Talvez o homem entorpecido pela febre consumista não se dê conta do que está por vir. Mas os efeitos estão aqui e não existe momento melhor que o agora para haver mudança.
Ele disse que a escola tem papel fundamental nisso, principalmente a universidade. Mas enquanto a sociedade ainda valorizar o dinheiro pelo dinheiro, como ele colocou, não haverá esperança.
Eu como professora partilho a angústia de saber disso. Saber que tenho que fazer algo para incitar a mudança. A escola é meu campo de moinho de ventos, e não tenho se quer meu fiel escudeiro nessa jornada.
Porém acredito que feliz é aquele que é parvo, pois ele será um dos únicos a entrar na barca do anjo. Acredito que todos os outros que tem consciência do que está acontecendo, principalmente os filósofos, estão condenados à barca do inferno.
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compre: livros de Sébastien Charles
Acredito no amanha, mesmo as vezes nao acreditando…
Mas concordo 100% que crise é crescimento!
bjs, Cris
meu comentário sobre esse post: a dor de sequer se compreender a modernidade.
MUITO bom, já twittei (https://twitter.com/ibelli/status/1384627666) e agora vou compartilhar no g reader
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