
Por enquanto são apenas comentários, mas convenhamos, a família Scott anda fazendo muitos comentários. Além de querer ressuscitar a franquia Alien, Ridley Scott - que é uma máquina disfarçada de gente, vide sua busca eterna pela perfeição cinemática - anunciou que está desenvolvendo com seu irmão (o menos talentoso) Tony Scott e o filho Luke, uma nova web série inspirada no universo de Blade Runner, possivelmente sua obra-prima.
Para tranqüilizar todos aqueles que temem uma versão re-re-remasterizada do filme mais modificado da história do cinema, Scott afirmou que se tratará apenas de uma trama paralela que não envolverá Deckard e nem os replicantes do filme original .
Os episódios terão entre 5 e 10 minutos e debaterão as questões essenciais do conto romance (!) de Philip K. Dick, “Do Androids Dream of Electric Sheep”, sobre o que significa ser humano (vagamente promissor, né?). O controle criativo e os temas dos web-episódios ficam sob controle de Luke Scott e seu pai garantiu que nenhum grande estúdio dará pitacos já que se trata de um empreendimento de orçamento bem mais modesto.
Especula-se (tanto pelo New York Times quando pelo Filmstalker e outros blogs) que a web série é na verdade um teste para saber se as novas audiências estariam prontas para uma nova versão do clássico ou um novo longa big budget desse mesmo universo. Eu já acho que o projeto é mais um escape para um diretor cheio de conflitos que há tempos busca se reencontrar na selvagem terra hollywoodiana.
gente, “Do Androids Dream of Electric Sheep” é um romance, não um conto. Um senhor romance inclusive. O caçador de andróides do Ridley Scott nem se aproxima em sofisticação narrativa do livro do Dick. Ele simplifica e tira o brilho da história, inclusive, com aquele lance do Deckard ser um fodão e do Roy Batty ser o androide perfeito. Se eles querem estragar mais ainda a história, go ahead.
“romance” de fato, tá lá. mas tenho q discordar AGRESSIVAMENTE sob o fato do filme tirar o brilho do livro. Não, ao contrário, o filme reforça ainda mais a beleza do livro, de forma mto mais plástica e mto mais sugestiva.
Q fique aqui registrado que os textos do Philip K. Dick não são necessariamente os mais fáceis de se traduzir. O que o Ridley Scott fez pode ser considerado um milagre de adaptaçao. Removendo a mulher do Deckard da história, Ridley transformou o filme num romance mto mais metonímico, em que as partes soltas e sugeridas, compõem um sentido para o todo (dependendo das interpretações do espectador).
o filme é uma obra-prima ÍMPAR. e como todo clássico se reinventa a todo tempo, sempre que é revisto.
Eu fico com o pé atrás. BLADE RUNNER é um dos filmes da minha vida e Dick um dos meu autores favoritos. No entanto, parece q essa crise de criatividade de Hollywood está indo longe demais. Esses remakes/reimaginings/estica-e-puxas e de histórias já clássicas e mais do q consolidadas me soa caça-níqueis. Será q vai ser algo no estilo Animatrix, no sentido de expandir o universo do filme? E isso é realmente necessário?
Excelente seu blog!
Abs!
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