O teatro é uma caixinha de surpresas e a probabilidade de você se frustrar é grande. Com tanta coisa ruim, muita gente deixou de frequentá-lo. Mas quando todos (leia-se diretor, atores, tradutor etc) dedicam-se à uma peça com o intuito de entregá-la ao público em sua máxima capacidade artística, o que temos é uma apresentação eletrizante, como um bom show de rock. E Zoológico de Vidro é assim.
Nova peça estrelada por Cássia Kiss e dirigida por Ulysses Cruz, esse drama familiar (The Glass Menagerie, no original), é um trabalho contundente, onde sonho e realidade contracenam. Escrita pelo norte-americano Tennessee Williams (1911-1983) - mesmo autor de Um Bonde Chamado Desejo - em 1944, é a história de uma mãe repressora, Amanda, e seus dois filhos problemáticos: Tom, um aspirante a escritor que tem um emprego frustrante e Laura, uma jovem tímida e meiga que tem uma deficiência física. A eles junta-se Jim, colega de Tom e também uma vítima das circunstâncias da vida, um jovem que tinha tudo para dar certo, mas por alguma motivo, não conseguiu. Os personagens disparam diálogos de derrota e ilusão, fé e ironia. Impossível não se identificar com algum deles. Ou com todos.

Créditos:
fotos de Lenise Pinheiro. Link original:
cacilda.folha.blog.uol.com.br/arch2009-01-11_2009-01-17.html
Fontes: Wikipédia e Folha Online.
O Zoológico de Vidro
Direção de Ulisses Cruz.
Elenco: Cássia Kiss, Kiko Mascarenhas, Karen Coelho e Erom Cordeiro.
Sesc Consolação Teatro Sesc Anchieta
R. Dr. Vila Nova, 245 - Vila Buarque - Centro.
Ingresso: R$ 5 a R$ 20.
sexta e sábado: 21h.
domingo: 19h.
2009 mal começou e já temos um show bastante excepcional: o grupo de j-rock Kagrra, (assim, com uma vírgula no final) se apresentará em São Paulo no dia 22 de fevereiro. Depois do sucesso das apresentações de outros artistas de j-rock no ano passado aqui, Miyavi e Toshi ex X-Japan, a Yamato Co. - responsável por eventos de animes, escolas de mangá e língua japonesa e ainda uma revista - mostra que irá investir no setor de música jovem definitivamente. Ufa! Finalmente alguém colocou o Brasil na rota da cultura pop japonesa!
Sobre a banda
O mais interessante do Kagrra, é o fato de ele ser um grupo de rock influenciado pela cultura japonesa tradicional. Um dos membros toca koto, uma espécie de harpa japonesa, e o vocalista escreve letras rebuscadas - lê-se aí muitos jogos e combinações diferenciadas para a leitura dos kanji, e um teor de solidão fortemente presente na literatura clássica japonesa.
Um dos clips mais recentes:
Info:
Kagrra,
22/02 a partir das 18hs
Grande Auditório do Bunkyo
R São Joaquim, 381 - Liberdade
Ingressos: inteira R$180
VIP´s já se encontram esgotados
Curiosidade: Kagrra pronuncia-se ‘kagura’, que é um tipo de dança xintoísta lá daquelas lhas.

Acontece nesta semana no SESC Av Paulista, uma “amostra” do projeto Ópera Amazônia, ópera multimídia que reúne artistas brasileiros, alemães e índios yanomamis. A obra tem data de estréia marcada para 2010, quando se apresentará na XII Bienal de Ópera de Munique. Segundo o site do
Instituto Goethe, a obra conta com uma miscelânia de teatro, música, tecnologia e ciência para expressar a situação de devastação da Amazônia. Ainda, segundo o site, “(…) No enredo da ópera, a cosmologia indígena e a espiritualidade dos xamãs são confrontadas com a visão tecnocientífica do mundo, e é construído um novo olhar sobre as mais variadas questões relacionadas à Amazônia – desde a biodiversidade, o desmatamento e o genocídio, até a biogenética, a nanotecnologia e as mudanças climáticas. ”
SESC Av. Paulista
Grátis. 4 e 5/12. Quinta, 21h e sexta, 17h.

pic by Cau Vianna
É uma peça. Posso dizer que não é mais uma peça de teatro. É uma performance trágica, lúdica, de uma atmosfera digna de quadrinhos, de cortes cinematográficos. É uma história de terror, comédia e ironia. É evidente que não consigo criticá-la claramente… rs Quando a gente gosta de algo, nada se explica… Difícil descrever como essa peça é bacana. Colo aqui o release do site oficial:
Inspirada no universo dos autores Hans Christian Andersen, Mary Shelley, Franz Kafka, Robert Louis Stevenson, Oscar Wilde e Roald Dahl, Marilia Toledo narra a trajetória de uma casa que serve de cenário para quatro histórias em diferentes décadas. Uma se passa em 1913, outra em 1929, a terceira em 1945 e a última em 1975. Numa narrativa não cronológica, apenas no desfecho da peça o público irá perceber que todos os personagens estão ligados, ou por laços sanguíneos ou pelo curso do destino.
Um espetáculo que fala sobre os limites da crueldade humana, dos desejos de vingança e da busca constante dos homens pela sua origem e seu destino.
Frases que definem o espetáculo:
“Compara-se muitas vezes a crueldade do homem à das feras, mas isso é injuriar estas últimas”.
Fiodor Dostoievski
“ A pior das angústias é: estar vivo, mas já não reconhecer a si mesmo, já não saber quem se é.”
Luis Buñuel
Fotos de Cau Viana aqui
“Bem Aventurados os Anjos que Dormem”
Texto: Marilia Toledo.
Direção, Cenário e Figurinos: Kleber Montanheiro.
Iluminação: Guilherme Bonfanti.
Trilha Sonora: Fê Pinatti.
Elenco: Cris Rocha, Daniela Flor, Ariel Moshe, Carlos Dias e Márcio Bueno Dias.
Gênero: Tragicomédia
Duração: 60 minutos.
Temporada: de 23 de outubro (estréia) a 12 de dezembro.
Dias: 5as e 6as às 21h.
Valor do Ingresso: R$ 20,00 e R$ 10,00.
quando eu estava na facul de letras, tive de fazer um seminário sobre o livro “O Espaço Literário”, do francês Maurice Blanchot. O texto era tão intricado, tão metafórico, tão INTELECTUAL que um ódio por seu nome nasceu em mim haha. Pra direcionar melhor esse sentimento, procurei suas fotos no Google. Surpresa… não tinha nada! O.O
Isso aconteceu em 2004. Hoje é possível encontrar mais sobre ele na internet, embora a maior parte dos sites seja em francês. Inclusive a idéia de falar dele veio de uma revista suíssa L´Hebdo.
Blanchot (1907-2003) tem um vasto trabalho na área de crítica literária. Escreveu poucos romances, mas sua crítica por si só já vale. Seu discurso é fragmentado, verborrágico, contraditório. “No Espaço…” ele usa a morte para descrever o processo criativo do escritor. Foto do rapaz:

Ainda na França, podemos citar Guy Debord (1931-1994), escritor situacionista cujos trabalhos criticaram o capitalismo e a alienação e também influenciaram o movimento estudantil dos anos 60. Passada essa década, ele se isolou e não respondeu mais à mídia.
Nos Estados Unidos, temos outro carinha dos anos 60 (esses anos mexerem com a cabeça do povo, né?), o Jerome David Salinger ou J.D. Salinger (1919-). Mais conhecido pelo livro “O Apanhador no Campo de Centeio”, deixou de publicar em 65, mantendo seus trabalhos apenas para si.
Thomas Pynchon (1937-) é o mais bacana. Ele já apareceu nos Simpsons com um saco cobrindo a cabeça, e seu livro Gravity´s Rainbow inspirou a música dos Klaxons.
The Residents é um coletivo de música e artes visuais criado em 66. Não se sabe exatamente quem são seus membros, embora o artigo da Wikipédia aponte alguns nomes. Seus discos podem ser punk, prog, experimental, dance, etc. Sempre usam máscaras, sendo a mais famosa a do olho.
Estão em turnê agora com o show Bunny Boy:
E no Brasil?
Rubem Fonseca (1925-) é escritor e roteirista. Sua obra fala principalmente do submundo do crime. Criou Mandrake, um advogado que cuida de casos de chantagem e que inspirou uma série da tv a cabo de mesmo nome, com Marcos Palmeira no papel principal.
Dalton Trevisan(1925-) é um prolífico contista que se esconde em Curitiba (seu apelido aliás é vampiro de Curitiba).
Continuando com as lendas, no nosso cenário independente de música abrigam-se alguns conceitos semelhantes, como é o caso do coletivo punk bonequinho. Residentes no interior paulista, eles gravam todas as suas músicas ao vivo, produzem todo seu material desde vídeos a cd´s e camisetas. Seus principais compositores mantém um sebo na cidade.
O Sebastião Estiva também um coletivo, mas seus membros estão espalhados pelo país (dizem que há um residente em manaus). O grupo ficou mais conhecido por causa de discos dedicados a estados brasileiros tais como massACRE, AmaZONAS e Cum on feel the Tocantinoise. (hahha)
o que a gente pode ver em todos os casos é que essa reclusão contribui para que se queira saber mais sobre esses artistas. Embora eles prefiram ficar anônimos, ‘todo mundo’ sabe quem são e pra onde vão.
Bihaku, além de ser um termo da língua japonesa que significa “branco bonito”, também designa um tipo de cosmético que clareia a pele de milhares de asiáticos. Das mais variadas marcas, eles prometem diminuir o nível de melanina, incidência de sardas e manchas, deixando a pele lisinha. A foto abaixo mostra o resultado:

Os motivos para tal prática são controversos. Artigos gringos falam em complexo de inferioridade em relação a caucasianos ou, ainda, comparam o costume com as densas máscaras das gueixas ou atores de kabuki. Sites japoneses são nebulosos sobre os porquês, seu argumento resume-se em ter uma pele linda. Pele branca = pele bonita (?)
Em 1933, o escritor japonês Jun´Ichiro Tanizaki escreveu um ensaio chamado Em Louvor da Sombra (publicado aqui em 2007 pela Cia das Letras), comparando a cultura japonesa e a ocidental. Tem uma passagem que acho super bacana e transcrevo aqui. É uma tradução para o inglês de Thomas Harper e Edward Seidensticker, editora Vintage Books.
For the Japanese complexion, no matter how white, is tinged by a slight cloudiness. These women were in no way reticent about powdering themselves. Every bit of exposed flesh – even their backs and arms – they covered with a thick coat of white. Still they could not efface the darkness that lay below their skin. It was as plainly visible as dirt at the bottom of a pool of pure water. Between the fingers, around the nostrils, on the nape of the neck, along the spine – about these places specially, dark, almost dirty, shadows gathered. But the skin of the Westerners, even those of a darker complexion, had a limpid glow. Nowhere were they tainted by this gray shadow. From the tops of their heads to the tips of their fingers the whiteness was pure and unadulterated. Thus it is that when one of us goes among a group of Westerners it is like a grimy stain on sheet of white paper.

E o Lars Ulrich do Metallica disse em recente entrevista ao site TheQuietus.com que deixou de lado a cocaína por influência de… Noel Gallagher, meus senhores. O pequeno dinamarquês disse ¨se ele conseguiu, qualquer um pode¨.
Outro que também está bem, é o Vile Vallo, vocalista do HIM. Após pagar 5000 doletas à uma clínica (a mesma de Lindsey Lohan), ele não entorna nem mais uma latinha de cerveja.

É, o cigarro ele não larga.
Ainda há esperança, Amy?
e a Paris Hilton agora está trabalhando com o Stan Lee, um dos criadores do Homem-Aranha.
Eles estão desenvolvendo um novo desenho para MTV, cuja protagonista será a grande herdeira.
O.o;
Sabe aqueles cofrinhos de R$1,99? Japoneses deram um upgrade neles.
Ano passado, foi lançado o Jinsei Ginkou (Banco da Vida), uma caixinha com tela LCD, da Takara Tomy. O personagem principal começa o jogo pobre e deprê, mas ao colocar-se moedinhas, ele pode compras roupas, passear, ter namoradas etc.
É a evolução do tamagotchi haha

Esse ano, a mesma empresa lançou o Bankquest. RPG de aventura aliado à poupança. O herói deve subir uma torre cheia de monstros. Nesse percurso, ele precisa se equipar, e é aí que as moedas entram…


Talvez você conheça a vertente fashionista japonesa que repercutiu de uns anos pra cá chamada gothic-lolita. Gothic-lolita seria uma mistura de vestidinhos, roupinhas e outras coisinhas de bonequinha rococó com um apelo dark. Acontece que dentro desse estilo, milhões de sub-estilos coexistem, um deles o hime, princesa em japonês. Tudo isso é praticado por pessoas mais ou menos inocentes, oriundas do cenário anime/j-rock/cosplay.
Agora, uma revista japonesa divulga princesas não muito inocentes: Koakuma Ageha. Koakuma = diabinhas. Essas mocinhas, segundo Patrick Macias, autor do livro Tokyo Girls (lançado no Brasil pela JBC), trabalham como hostesses, garotas que têm como trabalho entreter e embebedar seus clientes, nada muito diferente dos clubes do centro de Santos ou de São Paulo.
“O imaginário de contos de fadas toma grande parte do Koakuma ageha. Aqui, há uma fantasia fortemente enraizada de alguém que quer ser princesa, casar com um príncipe e viver feliz para sempre. Mas quando você olha para a realidade do que essas garotas fazem por dinheiro, parece uma grande contradição.”
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