Aos poucos, a televisão americana tenta recolocar em suas grades de programação um gênero que ciclicamente enfrenta altos e baixos desde os anos 60, a ficção cientifica. Fruto de uma dessas tentativas de emplacar o sci-fi nas noites dos grandes canais de televisão, “Virtuality”, é mais uma interessante, mas infelizmente ineficaz, promessa.
A premissa por si só mistura outros produtos da ficção. É inevitável não enxergar o longa “Sunshine” (um dos meus favoritos do agora oscarizado Danny Boyle) em cada um dos corredores da gigantesca Phaeton, a primeira nave interestelar criada em 2050 e projetada para procurar vida inteligente em outros sistemas solares. Entretanto, durante seu curso pela vastidão do espaço, seus 12 tripulantes recebem a notícia de que o planeta que deixaram para trás pode não estar lá quando eles retornarem.
Sem muita explicação, Ronald D. Moore, produtor renomado da versão recente de Battlestar Galactica e seu spin-off Caprica (destaque também para sua longa experiência em Star Trek, Roswell e a fantástica Carnivàle), não esclarece qual exatamente é a mazela da vez. Imagens cataclísmicas são exibidas a esmo para sensibilizar os astronautas de que sua missão assumiu a máxima prioridade: a salvação da humanidade.

Sabe aquela frase que anda cada vez mais batida nos trailers “Esqueça tudo o que você sabia sobre tal coisa”? Pois então, esqueça essa frase porque em “O Exterminador do Futuro 4 - A Salvação” o importante é lembrar de tudo aquilo que você viu nos vários produtos da série. Desde os clássicos filmões dirigidos por um megalomaníaco (e com razão) James Cameron até os quadrinhos, o mal fadado terceiro filme e a recém cancelada série de televisão.
Ainda que Salvation (chamemos ele assim) pretenda ser um recomeço da franquia, todas as provas apontam-no como um grande somatório de referências das obras anteriores. Como representante da Goma na cabine de imprensa que exibiu o filme uma semana antes do seu lançamento oficial no Brasil, eu estava lá, tenso em rever os personagens de uma mitologia que particularmente adoro.
A parte ruim disso é que vai ser impossível para esse que vos fala fazer uma resenha limpinha e sem spoilers, foram muitas as observações e tô preparado para esmiuçá-las sem tomar qualquer cuidado. Portanto, leia por sua conta e risco (ou espere até ver o filme depois volte aqui pra concordar ou discordar!).

olha que nerdice: aqui estou eu na madrugada de sábado escrevendo um post sobre o filme mais nerd da temporada. o que eu mais estava estava esperando [olha a quantidade de posts a respeito aqui na Goma] - e o que mais me decepcionou até agora. não me entenda mal, eu adorei o filme como aventura espacial-futurista. a Flávia adorou também, mas ficou chateada ao virar pra mim no final dos créditos [quando toca uma versão atualizada da música-tema do seriado dos anos 60 em que o filme é baseado] e perguntar se eu tinha gostado, só pra ver minha cara torta: =S - eu estava atacado de gastrite, mas ela não afetou meu cérebro fanboy.
dois avisos antes de você continuar a ler:
1- DAQUI EM DIANTE TEM SPOILERS DO FILME INTEIRO, INCLUINDO O FINAL; LEIA POR SUA CONTA E RISCO.
Uma folha em branco. O desespero de quem precisa escrever e não consegue. O terror de Eugene Pota, um autor respeitado de 73 anos que quer escrever um novo romance. Ele tenta uma, duas, três vezes. Sem sucesso, claro. A graça do livro “Retrato do Artista Quando Velho” do americano Joseph Heller está em acompanhar a trajetória do personagem até, enfim, conseguir escrever seu livro.
O título do livro é uma referência direta do clássico “Retrato do Artista Quando Jovem“, de James Joyce, e até mesmo o nome do personagem, Pota, tem origem em uma brincadeira (Portrait Of The Artist). As referências ao universo da literatura e aos autores não param por aí. Elas são, na verdade, o fio condutor da narrativa. Em sua jornada para escrever seu romance, o personagem Eugene vai atrás de outros escritores reais e mostra que muitos deles acabaram em chegando a um desespero existencial, o que levou ao alcoolismo, depressão ou suicídio. Ou até mesmo os três.
E é a reflexão sobre a vida de famosos autores que torna o livro realmente interessante. Pensar que grandes histórias da literatura foram criadas por pessoas que nem sempre conseguiram escrever sua própria história sem derrapar nas armadilhas que ela apresenta. Ou que grandes autores viveram histórias dignas de dramas que jamais teriam sido aceitos e publicados por seus editores.
Ao mostrar os medos e tragédias de alguns autores, o livro de Heller acaba dialogando com o trabalho de Andrew Becrat, ou Dunechaser. O japonês, que reside em Seattle, recria o nosso mundo com Lego. Em uma de suas séries ele transforma grandes autores, em pequenos bonecos. Grandes autores, que construíram grandes obras, mas que muitas vezes duvidavam do seu próprio tamanho e acabaram reduzidos às suas angústias.

James Joyce.

Ernest Hemingway

Virginia Wolf.

F. Scott Fitzgerald.

Charles Dickens.
A série completa de Dunachase com os escritores você aqui e mais do trabalho dele aqui.

Geralmente eu não tô nem aí para o Oscar. Acho chato, demodê e meio brega, mas de vez em quando a gente arrisca e vai ao cinema assistir aquele filme que ganhou um milhão de estatuetas.
Eu estava descrente, sentada no escurinho do cinema, até que o destino mudou minha vida.
Sabe quando você ouve sua música favorita pela primeira vez? Aquela sensação perfeita na qual a música lhe completa de maneira inexplicável.
E aquele filme que por duas horas muda tudo a sua volta. Daqueles que você sai do cinema acreditando que a humanidade não está completamente perdida. Um filme epifânico.
Foi assim durante as duas horas e dez minutos do “Quem quer ser um milionário?” Filme inglês gravado na Índia que conta a vida do seu protagonista, Jamal, com uma poesia que há muito tempo não se via no cinema.
O roteiro é lindo, as câmeras são muito bem sacadas (tem gente dizendo que é uma cópia do nosso “Cidade de Deus”, lembra?, mas cópia não é) e você se pega torcendo calorosamente por Jamal assim como todos os outros indianos que o assistem no programa “Quem quer ser um milionário?”.
Slumdog Millionarie é, às vezes, bruto mostrando sem receio uma Índia pobre, cheia de preconceitos e conflitos. O que mais uma vez nos leva ao nosso “Cidade de Deus”, que retratou o Rio de maneira crua.
Ao mesmo tempo a poesia que envolve o filme não deixa que você pense somente nas crianças que dormiram no lixão, na prostituição e trabalho infantil.
Você só pede para que Jamal alcance sua meta, tornando-se um Romeu a La Bollywood.
É um filme verdadeiro em vários aspectos, entretanto é mais mágico do que honesto no amor que move Jamal até o final da sua jornada.
É esse amor que dilui toda a dor de uma Índia confusa, triste e injusta. Mas em nenhum momento isso parece duro, agredindo o telespectador, diferente do nosso “Cidade de Deus” que se valia da crueldade da favela.

“Quem quer ser um milionário” é uma história de amor. Não só do amor Romeu e Julieta, mas o amor que nos leva a sobreviver against all the odds.
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Geralmente gosto de dar notas, linkar trailers ou postar curiosidades pop. Mas hj vou me prestar a fazer algo que a Goma faz de melhor e eu nunca tive coragem de fazer: uma recomendação.
Atire a primeira pedra quem não considerou que “Fringe”, nova série de JJ Abrams (a grande mente por trás da imbatível “Lost”), seria apenas mais um repeteco de Arquivo-X? Armado com todas as pedradas possíveis, assisti o piloto duvidando de tudo. Desde Joshua Jackson (que interpreta o enigmático e sarcástico Peter Bishop), até a protagonista interpretada por Anna Torv. Por alguma razão, no primeiro episódio, Torv parece uma estranha no ninho como a Agente Olivia Dunham. A trama que começa pra lá de gore, parece um pouco genérica e jogada até que temos uma das famosas viradas de JJ: há um traidor entre nós.
Tudo bem, você pode até dizer que isso veio diretamente do bordão Mulderístico “Trust No One”, entretanto, a conspiração não chega a ser tão declarada quanto no mundo de Cancerosos ou Homenzinhos Verdes. Em “Fringe” a questão é entender os jogadores, algo muito similar ao que foi feito em ALIAS.
E os principais jogadores dessa história são Walter Bishop (interpretado magistralmente por John Noble) e William Bell (ainda apenas um nome recorrente na trama). Cientistas especializados no que se intitulou “Ciência de Borda” (ou Fringe Science), ambos trabalharam juntos em todo o tipo de experiências que correm por fora de padrões éticos e morais. Com humanos como cobaias e o aval secreto do próprio Governo, Bishop e Bell foram responsáveis por avanços jamais revelados ao público (de mãos robóticas funcionais, até clones perfeitos e máquinas de teletransporte e viagem temporal).
Seguindo caminhos distintos, enquanto Bishop abraçou a loucura de se ir além das fronteiras humanas, Bell capitalizou suas invenções transformando-se no homem mais rico do mundo, a frente de sua grande fachada do bizarro, a corporação Massive Dynamics.
Mais ou menos 20 anos depois de sua separação, Bishop é trazido de volta para trabalhar junto com o filho (seu responsável legal) e Olivia Dunham, agente do FBI e responsável tática pela “Fringe Division”, facção do Bureau que investiga misteriosos casos que seguem um chamado “Padrão”.

Dentre os mistérios da série estão: O que causou a loucura de Walter Bishop? Como foi seu rompimento com o parceiro William Bell? Que segredos Peter esconde? Por que Olivia parece ter um papel definido no meio da trama? Quem é o Observador (figura sempre presente a cada caso bizarro)? Quem são os soldados da resistência à Ciência que surgem sob o comando do Mr. Jones? Seria a Massive Dynamics o inferno na Terra?
Com conceitos que misturam ficção fantástica, quadrinhos de Warren Ellis, ciência experimental, filmes B e um sem-número de referências, “Fringe” constrói-se entre altos e baixos (existem os episódios dispensáveis, é claro) escondendo discretamente o que pode vir a ser uma trama épica envolvendo a grande batalha do Homem contra a Ciência que ele próprio cria.
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Há dois dias atrás, eu li uma nota no Omelete sobre a vida do Blu-ray já estar com os dias contados.

Diretor da Samsung britânica aposta em cinco anos - e depois o formato digital vai se impor.
Quase ninguém comprou ainda, mas já tem executivos e analistas apontando que a vida do Blu-ray será curtíssima.
Andy Griffiths, diretor de eletrônicos da Samsung britânica, acredita que a nova tecnologia de alta definição de imagem e som só vai durar cinco anos, ao contrário dos mais otimistas da indústria que apostam em uma década.
Com a Internet cada vez mais rápida e sites de vendas online de filmes ficando melhores, mais fáceis e acessíveis, parece mesmo que a mídia física esteja com seus dias contados. De qualquer maneira, isso não significa que a tecnologia será um fracasso. Integrado ao Playstation 3 - considerado por especialistas o melhor player do formato existente -, o Blu-ray, de acordo com Griffiths, ainda vai fazer muito dinheiro até que os formatos digitais extinguam de vez o plástico, como já fizeram com os CDs.
Agora, eu opino…
Chamo a atenção do confuso leitor para a seguinte frase: “…o Blu-ray, de acordo com Griffiths, ainda vai fazer muito dinheiro até que os formatos digitais extinguam de vez o plástico, como já fizeram com os CDs…”
WAS?! Pergunto eu em alemão, após saber como é escrito consultando o World Lingo para dar um ar mais globalizado e descolado ao post;
Poxa vida, sabemos que o MP3, AAC ou qualquer que seja seu formato de música digital favorito tá dando uma canseira danada ao CD, e sabemos que pra piorar a situação ainda mais, agora temos o DVD Audio em 5.1 DTS (pra quem não conhece ou ainda não ouviu álbums como Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, Love (Beatles) ou o que considero a obra prima, Yoshimi Battles The Pink Robots do Flaming Lips nesse formato, realmente não sabe o que está perdendo). Mas pô, alguém aí viu o CD sumir?
Será que mesmo com todas essas dificuldades, o que vejo nas prateleiras seria apenas um memorial do que um dia foram CDs sendo alegremente vendidos? Miragem?
O CD não acabou… Não digo que será eterno, mas ainda acho que dura um bom tempo. Veja bem, a mudança constante do formato de vídeo (e suas mídias físicas) pode ser comparada, por exemplo, ao videogame e sua evolução, entende? Esclareço ainda mais para o leitor que se pergunta “Onde esse cara quer chegar?”…
Há espaço para expandir.
É possível ter uma imagem com mais resolução, mais pureza, melhores gráficos, mais rapidez, e para isso, precisamos de mídias e formatos que comportem arquivos de tamanhos cada vez maiores (hoje, um Blu-ray camada dupla comporta até 50GB).
Claro, uma coisa que ele disse faz sentido e de fato deve acontecer: que o fato de a Internet estar cada vez mais rápida (a conexão de 200 mega via rede elétrica já está em fase de testes no Mato Grosso do Sul e Porto Alegre) vai impulsionar e MUITO as vendas de vídeos e jogos online (como é o caso da rede Xbox Live e da Playstation Store), mas eu DUVIDO que a mídia física suma de vez… pelo menos nos próximos 20 anos.
Isso já não acontece com o áudio, entende?, diz Pelé.
O formato de DVD Áudio existe há pelo menos 5 anos, e eu pergunto: alguém já ouviu tal formato? Já pegou um disco desses na mão? JÁ?! Poucos afirmarão que sim…
Entendam, isso não interessa TANTO assim, pois aos ouvidos, a diferença não é tão grande!
Claro que ouvir determinados álbuns neste formato é SENSACIONAL, mas poxa, ninguém vai ficar se posicionando no meio de 6 caixas de som toda a vez que ouvir música!!! A qualidade da música digital hoje (e eu me refiro ao formato do CD, não o MP3) já é ótima! É só prestarmos atenção ao fato de que até hoje a música permanece com a mesma qualidade e quaisquer formatos digitais (MP3, AAC e etc) são “ripados” dos “obsoletos” CDs!
Mas, mas, mas como assim? Pergunta o embananado leitor após questionar-se “Sgt. Pepper em 5.1?” “Poxa, o PS3 é o MELHOR aparelho de Blu-ray do mercado e custa menos que os piores?” “Porra, 200mega!!! Eu poderei fazer download dos 39 DVDs dos Trapalhões!”. Tanta informação!!!
É…
Primeiramente, existem defensores do formato físico, como eu. Compro CDs até hoje (claro que a quantidade caiu e eu só compro os que realmente gosto, após ter feito o download prévio do álbum e ouvido inteiro), e não são poucos.
Em seguida, temos pequenos sinais que não me deixam mentir, como por exemplo, a crescente produção de discos em vinil a qual, claro, nos leva ao óbvio: se é produzido, existe demanda.
E por último, e mais importante: O comércio.
Pô, vocês acham mesmo que as lojas de CDs especializadas em música como Virgin, Fnac, Saturn e RMV vão mesmo abrir mão disso??? Claro que todas vão se adequar e vender também o formato digital, como é o caso da Amazon, mas pra isso tudo DESAPARECER ainda vai um tempinho.
As coisas evoluem rápido, eu sei, mas o buraco é sempre mais embaixo (momento clichê do post).
“Então conclua”, pede o cansado leitor. E rápido, eu o faço:
O CD não vai sumir tão cedo assim.
As pessoas não estarão dispostas a trocar o Blu-ray por um outro tão cedo, seja ele Purple, Red, Aqua ou Brown (é neste momento que o desatualizado leitor afirma: “Mas eu nem tenho Blu-ray ainda!” E eu, arregalo os olhos e solto um poderoso e concordante: POIS É!!)


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